E se a mente parasse de funcionar como funcionava há tempos?
Não há mais pensamentos livres, somos obrigados a pensar como todos pensam. Acabou o tempo em que éramos livres e não precisávamos utilizar máscaras. É necessária a conformidade para que possamos entender como funciona a cabeça e o coração de todos aqueles que matam, aos poucos, os valores dentro dos seres humanos.
A mente perturba-se com o inverso dos pensamentos que vem à tona com o intuito de fazê-la permanecer na loucura da escuridão dos ideais. O que é certo? O que não se pode fazer? Não há mais atos que se concretizem com os certos valores que se adéquam ao poder de discernir quem sou eu ou quem não sou...
Não há mais saída, não há mais caminhos a serem trilhados... Aliás, os caminhos ainda estão presentes, mas estão cada vez mais decadentes. Os espaços que cabem os nossos pés não nos trazem mais atrativos que nos façam querer caminhar por cima desse barro imundo que persegue o que mais desejamos e o destrói.
O reconhecimento das ações não precisa mais de atenção com tamanha destreza; mas, por outro lado, precisamos saber quando é o momento de parar. Não consigo mais permear a exatidão do que se passa em minha cabeça. Penso que é certo duvidar do que acho que sei, mas, ao mesmo tempo, acho que a minha dúvida não me vai levar a lugar algum. Enfim, essa é a questão pertinente ao que sentimos nessa era do pensamento.
O que precisamos fazer? O que preciso fazer? O que precisamos dizer? O que eu preciso pensar? É difícil saber quando todos estão fingindo sentir e pensar alguma coisa. Quando penso, sou encarado como pseudo-algo; quando me declino, sou transcrito como um traidor. A cabeça roda e o chão sai do lugar; não há mais abstrato ou real... Não há mais como fugir... Chegou a hora de encarar... E o resultado? Só saberemos quando não valer mais a pena lutar por algo.